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Um novo massacre provocado por gangues armadas voltou a expor a dimensão da crise humanitária e de segurança vivida pelo Haiti. Pelo menos 47 pessoas foram mortas e mais de 50 sequestradas durante um ataque na região de Kenscoff, na área metropolitana de Porto Príncipe.
Entre os mortos estavam cinco crianças, segundo informações das Nações Unidas. Uma igreja também foi atingida durante a ofensiva, enquanto moradores buscavam proteção diante do avanço dos criminosos.
Segundo relatos divulgados pela CBN News, muitas das vítimas eram cristãs e um templo evangélico foi incendiado durante os ataques.
A violência não ficou restrita ao local religioso. Casas foram queimadas, moradores assassinados e famílias inteiras ficaram expostas à ação dos grupos armados.
Pessoas buscaram abrigo em espaço religioso
Um dos episódios mais graves ocorreu justamente em um local onde moradores procuravam proteção.
Relatos divulgados após o massacre apontam que 22 pessoas foram mortas em um complexo religioso onde haviam buscado refúgio.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, condenou a violência e voltou a demonstrar preocupação com o avanço das gangues no Haiti.
O ataque também resultou em um sequestro em massa. Mais de 50 pessoas teriam sido levadas pelos criminosos.
A situação dos reféns é especialmente preocupante. Um líder de gangue chegou a ameaçar matar os sequestrados caso as forças de segurança realizassem ações contra integrantes do grupo.
Casas foram incendiadas
O prefeito de Kenscoff, Jean Massillon, relatou ainda que 25 residências foram incendiadas durante a ofensiva.
Dois funcionários públicos também foram mortos. Entre eles estava um primo do próprio prefeito, que fazia parte de sua equipe de segurança.
O episódio mostra como a violência das gangues ultrapassou confrontos entre grupos criminosos e passou a atingir diretamente moradores, autoridades, comunidades religiosas e instituições que ainda funcionam nas regiões afetadas.
Igrejas também sofrem com avanço da violência
A situação das comunidades cristãs no Haiti já vinha provocando preocupação antes do massacre.
Informações divulgadas pela organização internacional Aid to the Church in Need (ACN) apontam que aproximadamente 40 paróquias católicas tiveram de fechar em Porto Príncipe diante da insegurança.
Religiosos também têm sido vítimas de assassinatos e sequestros nos últimos anos.
O bispo Joseph Gontrand Décoste, da Diocese de Jérémie, afirmou à ACN que a atuação das igrejas incomoda grupos criminosos justamente porque líderes religiosos continuam denunciando a violência e defendendo as comunidades locais.
Na avaliação do bispo, a Igreja representa uma resistência moral, ética e espiritual diante do poder exercido pelas gangues.
Um país dominado pelo medo
Estimativas citadas pela ACN apontam que grupos criminosos controlam grande parte de Porto Príncipe. Em algumas avaliações, esse domínio alcança entre 70% e 90% da capital haitiana.
Esse controle afeta praticamente todos os aspectos da vida cotidiana.
Escolas fecham, famílias deixam suas casas, atividades religiosas são interrompidas e comunidades inteiras passam a viver sob ameaça.
O massacre de Kenscoff reforça que a crise haitiana continua longe de uma solução.
Embora veículos cristãos tenham destacado a presença de cristãos entre as vítimas e o ataque contra uma igreja, fontes internacionais também situam o massacre dentro da ofensiva mais ampla das gangues contra a população de Kenscoff. Até o momento, não há elementos suficientes para afirmar que a fé cristã tenha sido a única motivação para os assassinatos.
O que está documentado é igualmente grave: cristãos estão entre as vítimas, locais religiosos foram atingidos e igrejas enfrentam dificuldades cada vez maiores para permanecer abertas em áreas dominadas pelo crime organizado.
Para milhares de cristãos haitianos, manter uma igreja funcionando hoje significa também permanecer ao lado de comunidades que convivem diariamente com violência, deslocamento e medo.
Fontes: Organização das Nações Unidas (ONU), Associated Press, CBN News e Aid to the Church in Need (ACN).
Publicado por:
Roteiro Cristão
Joaby Silva Coelho é jornalista, comunicador e fundador do site Roteiro Cristão, um portal dedicado à produção de conteúdo sobre fé, cultura, sociedade e os principais acontecimentos do meio cristão.
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