“Algumas pessoas só descobrem o lugar que ocupavam na igreja quando deixam de servir.”Enquanto você está disponível, o telefone toca:

Abriu portas, organizou cadeiras, resolveu imprevistos e permaneceu até o último irmão ir embora. Seu telefone tocava com frequência. Quase sempre havia uma escala para preencher, uma tarefa urgente ou algum problema que precisava de solução.

Ele era necessário.

Até o dia em que o corpo pediu descanso e a alma já não conseguiu esconder o cansaço. Então, afastou-se por algumas semanas.

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O telefone silenciou.

Poucos perguntaram o que havia acontecido. Ninguém apareceu para uma conversa demorada. A ausência foi percebida no trabalho que deixou de ser realizado, mas quase não foi sentida na vida da comunidade.

Foi naquele silêncio que surgiu uma pergunta incômoda:

A igreja sentia falta dele ou apenas do que ele fazia?

Essa não é uma acusação contra o serviço cristão. Servir é parte inseparável do caminho de Jesus. Cristo não formou espectadores religiosos, mas discípulos dispostos a amar, repartir responsabilidades e colocar seus dons a serviço do próximo.

O problema começa quando o serviço deixa de ser expressão de amor e passa a definir o valor de uma pessoa.

Há uma diferença entre ser chamado para servir e ser procurado apenas porque se tornou útil. Uma igreja pode manter suas atividades funcionando e, ainda assim, esquecer o coração daqueles que sustentam essas atividades. Pode ter escalas organizadas, cultos bem conduzidos e ministérios produtivos, enquanto pessoas cansadas atravessam seus corredores sem serem verdadeiramente vistas.

O evangelho, porém, não nos permite reduzir pessoas a funções.

Antes de ser músico, professor, diácono, recepcionista ou líder, alguém é irmão. Tem uma história que nem sempre conta, lutas que talvez ninguém perceba e feridas que não aparecem durante o culto. Quem cuida também precisa ser cuidado. Quem serve também precisa ser ouvido. Quem fortalece tantos outros também pode chegar ao limite.

Jesus não amava as pessoas pela utilidade que elas tinham para sua missão. Ele as via. Percebia o cansaço, interrompia o caminho, fazia perguntas e se aproximava das dores que a multidão preferia ignorar. No Reino de Deus, ninguém deveria precisar adoecer para ser notado.

Mas essa reflexão também alcança quem serve.

É preciso perguntar com honestidade: sirvo por amor a Cristo ou porque encontrei na função a minha identidade? Consigo reconhecer meus limites ou espero que os outros descubram meu esgotamento? Permaneço fiel quando ninguém elogia, ou minha disposição depende do reconhecimento que recebo?

Uma comunidade saudável não é construída apenas com pessoas disponíveis, mas com relacionamentos verdadeiros. Líderes não devem tratar irmãos como peças substituíveis, e membros não devem transformar o serviço em uma busca silenciosa por aprovação.

Talvez algumas igrejas não precisem de mais voluntários. Talvez precisem aprender a enxergar melhor aqueles que já estão ali.

E a pergunta permanece:

Se você deixasse de exercer sua função hoje, sua comunidade sentiria falta de você ou apenas do trabalho que ficou sem alguém para fazer?

💬 Como podemos cuidar melhor daqueles que estão sempre cuidando de todos?

❤️ Marque alguém da igreja que você ama não pelo que faz, mas por quem é.

FONTE/CRÉDITOS: Joaby S Coelho